sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Os Melhores Discos de 2006 - Público

INTERNACIONAL
Escolhas de João Bonifácio, Luís Maio, Mário Lopes, Pedro Rios e Vítor Belanciano

1. TV On The Radio
Return To Cookie Mountain
4AD, distri. Popstock

Álbum pós-Katrina, pós-Bush, pós-incêndio da habitação de David Sitek, o ideólogo do grupo americano. Só podia ser um álbum de canções simultaneamente trémulas e majestosas, feito de cinzas e criado a seguir ao caos. Onde o importante é a beleza que se solta na desordem, os momentos onde tumulto e harmonia se tocam e reformulam. É um universo erguido a partir dos vestígios de um mundo em extinção - mas não há apatia aqui; é da sua reconstrução instantânea que se trata. Como as obras que interessam, há neste disco um ar inacabado. Mas quem se atrever a entrar nele descobrirá uma obra admirável que capta a tensão das grandes metrópoles.

2. Sonic Youth
Rather Ripped
Geffen Records, distri. Universal

Não terá o impacto dos álbuns mais marcantes do grupo da segunda metade dos anos 80, mas é um disco de canções rock pacientemente tecidas, como quem vai extraindo tudo o que está a mais. Há ângulos de ruído e guitarras estrepitosas, mas há um controle sobre todos os elementos, como quem se mantém sereno mesmo sabendo que há uma tempestade a rodeá-lo. 3 Burial Burial Hyperdub, distri. Flur Quase não há palavras em "Burial", mas eis um disco que não cessa de murmurar. Em tempo de desagregação da indústria, dificilmente será reconhecido como disco síntese de uma época, mas é disso que se trata. De uma obra magnífica, vagamente inspirada na corrente dubstep. Há ruídos de estática, arritmias, o crepitar do vinil, a chuva, uma estrutura sónica descarnada, cadências que se desenvolvem vagarosamente e linhas de baixo robustas. Parece um disco feito de silêncio, mas aqui o silêncio é tumultuoso.

4. Final Fantasy
He Poos Clous
TomLab, distri. Flur

O primeiro álbum do canadiano Owen Palett/Final Fantasy era um disco onde mesmo os momentos mais melodramáticos eram contaminados pelo humor, simbiose entre classicismo e pop. Este ano reincidiu entre o confessional e o irreal, entre o quotidiano e o fantástico, suportado por um dispositivo mais amplo, originando uma pop para quarteto de cordas, onde encontramos o mesmo apelo clássico. Os arranjos são contidos, as confi gurações rítmicas imaginativas e a voz é introvertida, não se deixando levar pela grandiloquência.

5. Adam Green
Jacket Full Of Danger
Rough Trade, distri. Edel

Adam Green, 25 anos, quatro álbuns a solo. Compositor clássico, criou um imaginário onde o corriqueiro se torna grotesco, onde a escatologia é poesia do Brill Building. Um geniozinho com o seu quê de Jonathan Richman, de Frank Sinatra com roupa de estrela rock, de Jim Morrison com sentido de humor. "Jacket Full Of Danger" é o disco onde compactou os traços de uma singularidade que o futuro preservará dignamente. A maravilha dos clássicos de ontem, a maravilha de os ouvir com voz de hoje.

6. Liars
Drum's Not Dead
Mute, distri. EMI Music Portugal

A confirmação que os Liars nasceram verdadeiramente com o perturbador "They Were Wrong So We Drowned" está em "Drum's Not Dead" - o revival pós-punk em que surgiram, em 2001, é memória de um passado distante. Mais que isso, "Drum's Not Dead" surge como uma ponte fascinante entre a experimentação de vanguarda e a pesquisa rock - carne e vísceras e feitiçarias. Todo ele assente no poder hipnótico da percussão, são os Liars a exorcizarem o mundo urbano sem conseguirem abandoná-lo. Magnífica esta inquietação.

7. Clap Your Hands Say Yeah
Clap Your Hands Say Yeah
CYHSY, distri. Edel

O álbum de estreia dos americanos parece um daqueles registos onde reconhecemos tudo o que o ouvimos. Pode-se até criar uma equação: Talking Heads + Feelies + Bowie + Arcade Fire = CYHSY. Mas mesmo assim nunca acederemos ao regozijo que dele emana. Som rasgado, voz flexível que se transforma num vírus eufórico, música diabolicamente melódica e um líder, Alec Ounsworth, irónico, ideal para personalizar um rock de veludo.

8. Kode9 + The Spaceape
Memories Of The Future
Hyperdub, distri. Flur

Responsável pela editora Hyperdub, produtor e pensador das mutações das músicas urbanas, Kode9, é também ideólogo do dubstep, tipologia assente nos subgraves, que absorveu princípios do dub, drum & bass ou grime. "Memories Of Future" é um disco de claustrofobia severa e de sonoridade minimalista. Conta com a voz de Spaceape, profunda, profeta do apocalipse no dia a seguir ao juízo final. Nele distinguimos traços rítmicos de drum & bass ou dancehall, mas recortados a uma velocidade reduzida até ao seu não reconhecimento.

9. Comets On Fire
Avatar
Sub Pop, distri. Música Activa

O rock clássico ganhou inesperado fôlego com este disco. "Avatar" não revolucionou, mas conseguiu algo que a maioria das bandas desta década não conseguiram: tornar excitante e devolver a aventura a um som que caiu na previsibilidade. Os Allman Brothers e os Led Zeppelin são referências citáveis, mas os Comets utilizam o seu amplo conhecimento da história do rock, com destaque para a década de 70, para fazerem música que está longe de ser mero exercício nostálgico - provaram-no nos concertos que deram em Portugal.

10. Fiery Furnaces
Bitter Tea
Rough Trade, distri. Edel

As mentezinhas hiperactivas de Mattew e Eleanor Friedberger, não param para reflectir. Por isso a sua música é um caleidoscópio onde tudo cabe, por isso aceitamos que dêem tiros ao lado (foi o caso do anterior "Rehearse My Choir"). "Bitter Tea" é o regresso em grande, trinta segundos depois. Música exigente e texturada, criada por tipos com pouca capacidade de concentração. Um caldeirão pop, guiado pela voz cativante de Eleanor, onde operetas rock, manipulações electrónicas, pianadas de salloon, blues e vaudeville surgem como meros apontamentos.

11. Scott Walker
The Drift
4AD; distri Popstock

Enquanto a carreira de Scott nos Walker Brothers era pop até ao osso, e a primeira parte da sua carreira a solo seguia as pisadas de Sinatra e de Brel, os discos dos últimos vinte anos estão à margem de tudo. Nesse sentido "The Drift" segue a arquitectura épica e fantasmagórica de "Tilt" (1995) mas de forma ainda mais original: monumentais riffs dão origem a gemidos que precedem breaks de bateria de uma violência atroz. Não é um disco, é a banda-sonora de uma peça de teatro apocalíptica, um tratado de niilismo musicado.

12. Six Organs of Admittance
The Sun Awakens
Drag City, distri. Ananana

Depois de "School of the Flower", Ben Chasny voltou a dar cartas, tanto nos Comets On Fire como no seu projecto Six Organs of Admittance. "The Sun Awakens" representa a completa emancipação do californiano face aos ensinamentos de Robbie Basho ou John Fahey. Mostra uma linguagem única, que tanto bebe da folk e da banda sonora feita por Neil Young para "Dead Man", como do rock psicadélico mais desbragado ou do minimalismo e do drone. Chasny trocou as voltas a quem esperava o regresso do predomínio da guitarra acústica.

13. Sparklehorse
Dreamt for light years in the belly of a mountain
Astralwerks, distri. EMI Music Portugal

Cinco anos de silêncio foi a resposta dos Sparklehorse ao sucesso de "It's a wonderful life", que consagrou o projecto de Mark Lindous como um dos mais pertinentes tecelões de melancolia em forma de canção. Agora usa as mesmas matérias, mas refina o grau de pureza: entre flautas pastorais e ruído branco, entre órgãos vintage e arroubos de cordas. Canções como "Don't take my sunshine away" ou "Shade and honey" vagueiam por nuvens de cometas, não são canções, mas breves vinhetas para onde a mente pode escapulir-se à procura de sossego e sonho.

14. The Knife
Silent Shout
Rabid, distri. Edel

Do exercício de estilo, dos dois primeiros álbuns, à afirmação de um vocabulário singular, os irmãos Olof e Karin Dreijer deram grande salto. As vozes bizarras mantémse, os sintetizadores também, mas o espírito que povoa este conjunto de canções é outro. É uma electrónica esquelética, inquietante, de sombras a preto e branco aquela que se ouve, numa realidade póspop, pós-tecno, pós-industrial. Parece sorver o ar dos tempos e simultaneamente habitar fora dele.

15. Tinariwen
Amassakoul
World Circuit, distri. Megamúsica

Vêm do deserto do Mali, mas não são malianos, porque são nómadas e recusam associar a sua identidade a um país. A música sofre com essa geografi a em queda: melodias árabes serpenteiam por entre linhas e cornucópias de guitarra que voltam obsessivamente ao início. Mas há guitarras afunkalhadas, harmonias elípticas, vozes masculinas e femininas ao desafi o, uma espécie de gospel (com palmas e tudo), e até melancolia com rap por cima. Devem ser belíssimas, as noites num deserto.

16. Oneida
Happy New Year
Jagjaguwar, distri. Edel

Melómanos obsessivos, corroem, distorcem e expandem tudo aquilo que ouvem. Isso era kraut-rock em colisão com os Hawkwind, era noise em forma de "acid trip" dos Grateful Dead, era psicadelismo inventado em esqueleto de edifícios industriais. Com "Happy New Year" introduzem-se disco disforme e graciosidade Canterbury (Caravan, Soft Machine) à equação e os Oneida confirmam-se um dos melhores segredos da música popular urbana da actualidade.

17. Spank Rock
YoYoYoYoYo
Big Dada, distri. Symbiose

O som dos americanos Spank Rock inspira-se na Baltimore club music, mais uma música regional, catártica e física, nascida do caos urbano. Combina ritmos repetitivos, batidas quebradas e baixos robustos. É música que o bom gosto queria ocultar, incestuosa e maleável, mais uma metamorfose do hip-hop feita de fraseados vocais mais debitados que cantados, sons digitalizados que parecem saídos de uma consola de vídeos e letras desbocadas. Assimilação de concepções rítmicas resgatadas, em diferido, do hip-hop, house ou grime, tudo numa síntese de impulsos electrónicos.

18. Califone
Roots&Crowns
Thrill Jockey; distri. Dwitza

O discurso corrente da pop diznos que apenas os mais novos podem trazer-nos o Santo Graal que tanto ansiamos. No mundo dos Califone, banda com oito anos, nada se passa assim: uma canção leva o seu tempo, é o arco que une o agora à raiz de todas as músicas. E se esse arco comporta blues e melodias folk, a verdade é que a sua trajectória deforma as matérias originais, esse arco é atravessado pela actual electrónica e reescreve os antepassados da canção americana, criando uma música sintética, esquelética, tensa e próxima do silêncio.

19. Beck
The Information
Interscope; distri. Universal

Estava tudo preparado para que, a partir de agora, cada novo álbum fosse apenas "o novo álbum de Beck". "The Information" não aponta mudanças. Contudo, ao contrário de "Guero", tem grandes canções. O autor de "Loser" já não se conseguirá assumir como vanguarda pop, tal como o foi com "Mellow Gold" ou "Odelay", contudo, aqui não se limita a provar que a sua música multifacetada, o seu cruzamento abastardado de folk, hip-hop, funk e rock, é a actualidade de 2006. Mostra-nos que, à beira da veterania, um dos mais signifi cativos artífi ces pop.

20. Cibelle
The Shine Of Dried Electric Leaves
Crammed, distri. Megamúsica

Reconhecemos os traços tropicalistas, os ruídos orgânicos e o espreguiçar da manhã que já havíamos entrevisto no primeiro álbum, mas o resto é surpreendente. Cibelle edifica um cosmos pessoal, aliando traços de bossa nova, folk primitiva, sons concretos do quotidiano, melodias de caixa de música. Há convidados como Devendra Banhart ou Seu Jorge e ouvem-se línguas como o português, inglês e francês. Tudo o que se ouve é um "barulinho bom", como ela gosta de dizer, mini-sinfonias pop de algodão doce.





NACIONAL
Escolhas de João Bonifácio, Luís Maio, Mário Lopes, Pedro Rios e Vítor Belanciano

1. Dead Combo
Quando A Alma Não É Pequena, Vol. II
Dead & Company, distri. Universal

Já tínhamos na música de Tó Trips e Pedro Gonçalves a marginalidade fantasista, as músicas como pequenos microcosmos onde cabem Ennio Morricone, mariachis, Corto Maltese, gatos pardos, fadistas e bluesmen - todos à desgarrada numa travessa do Bairro Alto. A proeza, neste caso, é terem continuado a ser tudo isso (mas um pouco mais). A identidade é a mesma, mas abriram-se ao mundo à sua volta - ouvemse mais instrumentos, mais convidados, mais produção. Continuam sem falar. Tem um silêncio de ouro a voz dos Dead Combo.

2. Sam The Kid
Pratica(mente)
Ed. e distri. Edel

Samuel Mira regressou ao activo com o seu álbum mais ambicioso. Um disco semelhante e diferente dos anteriores, onde revela o mesmo apetite por arriscar novas pistas sonoras. É revelador até onde um objecto artístico pode sê-lo. É quando o seu diário afectivo entra em acção que somos conquistados. Há uma grande elasticidade sonora, uma intencionalidade precisa, uma batida seca, com sequências rítmicas de economia narrativa. É um disco rico, labiríntico, daqueles a que se regressa para se perceber mais um pouco do seu propósito.

3. Buraka Som Sistema
From Buraka To The World EP
Ed. e distri. Enchufada

Em Portugal, a pop tem gravata, é calculista. Quando alguém arrisca a página errada da história, normalmente sopra uma rajada de ar fresco. Como os Buraka Som Sistema. O que propuseram no mini-álbum de estreia é novo, aproveitando a adrenalina e a singularidade rítmica de uma sonoridade proscrita, o kuduro, e reforçando a afinidade com outras entidades como a house, o tecno, o drum & bass ou o grime londrino. Música contaminada, expondo o real e expressando fantasia, "local" e "global" em simultâneo, desbocada. Música hedonista, capaz de provocar a festa.

4. Gaiteiros de Lisboa
Sátiro
Sony BMG

Quarto tomo da aventura dos Gaiteiros, encontra-os mais fragmentados que nunca - e quase pop, seguindo assim a veia de Macaréu", o disco anterior. As premissas mantêm-se: continuam a reescrever temas populares descobertos em recolhas, continuam a criar instrumentos a partir de lixo, continuam a conjugar diferentes geografias (polifonias, tradições árabes, fado, lenga-lengas, canções de amolador) num só espaço, numa só aventura. Vale a pena ter orgulho: é uma das mais importantes bandas portuguesas da última década, e sem dúvida uma das maiores bandas do mundo.

5. Legendary Tiger Man
Masquerade
NorteSul, distri. Sony BMG

O bluesman deixa de ser homem assombrado por pecado e fogofátuo no pântano. Agora que todos o reconhecem equilibrase nessa tensão entre o real e a ficção, mas assume-se como "entertainer". Sinta-se o cheiro dos canaviais em pista de dança no centro da cidade, recuperase o rock de "Route 66" para consciência histórica e grite-se "honey you're too much" que agora não é tempo de declarar intenções em sussurros. "Masquerade", o título, aponta para um jogo de máscaras. Elas lá estão, mas Paulo Furtado já não está preocupado em fingir que são a sua própria pele.

6. Rafael Toral
Space
Staubgold, distri. Flur

"Space" é o início da segunda vida de Rafael Toral. É uma ambiciosa exploração das relações entre jazz e electrónica. Toral não funde os dois géneros; faz "jazz em electrónica", o que exigiu uma abordagem de raiz, baseada no som puro e não em notas. Sei Miguel, infl uência maior no actual ponto criativo de Rafael, e Fala Mariam surgem em "Space" como convidados, mas as peças são quase inteiramente executadas por Toral, munido de dispositivos electrónicos construídos por si. "Space" não é jazz futurista, mas antes uma "abstracção alienígena", como explicou o músico ao Y.

7. Loosers
Otha Goat Head
Ruby Red

Ocupam o lugar cimeiro na comunidade de rock marginal identifi cada pelo Y em 2005 e que tem vindo a produzir quantidade assinalável de registos, quase todos em CD-R ou lançados na net. Só este ano lançaram quatro discos. este é o mais consistente e ambicioso. Guitarras folk, Médio Oriente, percussão polirrítmica, andamentos tribais, desvarios livres e ritualismos fazem deste CD-R duplo o mais fiel registo da diversidade que caracteriza a banda de Lisboa. Abre o apetite para os vários discos que já anunciam para 2007, um deles na norte-americana Eclipse.

8. Bunnyranch
Luna Dance
Transformadores

"Trying To Lose", a estreia, era um álbum em que a adrenalina de rock'n'roll com efi cácia historicamente comprovada - o garage rock, o r&b da Stax - era o que interessava. "Luna Dance", o novo, é tudo isso - e mais. As guitarras sobem colunas acima e lembramo-nos dos Small Faces, Kaló, o vocalista/baterista, transforma-se em intérprete soul sem aulas no púlpito gospel, e temos canções-canções com o frenesim e a inquietude de sempre. São uma das melhores bandas ao vivo em Portugal. Com "Luna Dance", passam a ser das melhores bandas portuguesas, ponto final.

9. Double D Force
Enforce The Funk
Ed. e distri. Loop Recordings

Eis um álbum de D-Mars (Micro, Rocky Marsiano), que se insinua no passado do electro e do "disco", mas que não fica refém dele, eliminando excessos e organizando emoções com rigor. Há ritmos espaciais evolucionistas e programações comprimidas, inseridas num quadro estrutural límpido, com as vozes pontuando incursões pelo electro. É um disco de sintetizadores e vozes precisas, onde a memória funciona como superação do presente. Começa no electro e desemboca nas actividades contemporâneas do house. Entre as duas pontas, pairam as técnicas do hip-hop.

10. München
Fala Mongue
ed. autor

A estreia dos München em disco é uma surpresa: composta por antigos elementos dos Velvetten e dos Pinhead Society, não se atém um segundo ao rock, antes constrói uma estranha música popular de câmara que tanto soa a música de brincar como à banda-sonora de uma zaragata na fronteira do México. Há guitarra acústica, viola de arco, percussões saídas de desenhos animados, melódicas, xilofones, cavaquinhos, campaínhas, contra-baixos. Há uma confusão de geografi as e, a cada compasso, a dúvida: o que virá a seguir? É dessa dúvida que a boa música é feita.

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